Pesquisa qualitativa: a bola da vez.



Ultimamente está ocorrendo uma tendência expressiva - para não falar em modismo- da utilização de pesquisas qualitativas. Pesquisadores de mercado, profissionais de marketing, cientistas políticos, publicitários e empresários em geral estão literalmente "ouvindo o consumidor", através do método de pesquisa com reuniões de grupo de consumidores, os chamados "focus groups". Este método permite uma resposta instantânea a algumas indagações gerais, como numa espécie de pesquisa motivacional interativa. Entretanto, em alguns casos específicos é aconselhável que uma pesquisa qualitativa seja complementada por uma pesquisa quantitativa, a fim de se verificar com que dimensões ou intensidade numérica certas variáveis ou tendências ocorrem no universo, inclusive com estimativas de margens de erro e níveis de confiabilidade estatística.

As pesquisas qualitativas envolvendo análises comportamentais de hábitos de consumo não devem desprezar a existência de uma possível superposição de tempo e espaço, formando o que os sociólogos chamam de "contemporaneidade do não coetâneo", ou seja, a sobrevivência ou interpenetração de traços de uma cultura arcaica e rural num mundo moderno e urbano. Gilberto Freyre, através do seu conceito de "rurbanismo" estabeleceu as bases sociológicas para analisar este fenômeno sociocultural. O tema principal do filme CENTRAL DO BRASIL, por exemplo, demonstra de forma magistral, que em plena época da globalização, ainda há expressivos contingentes de brasileiros neste nosso imenso país continente, que convivem harmoniosamente em dois Brasis, formando um continuum de dois tempos sociológicos. (ROBERTO HARROP GALVÃO)



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