Tamanho não é documento




Estamos nos Estados Unidos, ano de 1936. Naquele ano a revista Literary Digest resolveu administrar uma pesquisa de intenção de voto para saber a preferência dos americanos na disputa presidencial entre o Democrata Franklin D. Roosevelt e o Republicano Alf Landon. Foram enviados 20 milhões de cédulas pela correio e houve um retorno de mais de 2 milhões de respostas! Era, evidentemente, uma amostra gigantesca para os padrões normais e os resultados desta consulta indicaram uma vitória do candidato republicano Alf Landon, com 59% das preferências do eleitorado nacional. Baseada nesta pesquisa, a revista fez a previsão de uma folgada vitória republicana. Os resultados das urnas, entretanto, deram uma esmagadora vitória para o candidato Franklin D. Roosevelt, o qual venceu as eleições em 46 dos 48 estados americanos.

"Isonomia amostral", eis o documento

Os analistas são unânimes em admitir que o critério de amostragem utilizado pela Literary Digest envolveu um erro ou viés sistemático, já que a revista utilizou listagens de proprietários de veículos e de assinantes de listas telefônicas, para acessar o eleitorado. Deste modo ficaram sub representados na amostra expressivos segmentos do eleitorado de menor poder aquisitivo que naqueles anos da depressão americana não podiam dispor de um carro nem tampouco tinham telefone em suas residências.

0 principal viés da amostra foi desconsiderar uma exigência fundamental no processo de amostragem, que é o princípio da representatividade. Ou seja, todos os elementos do universo têm de gozar de isonomia amostral. A grande lição que ficou deste clássico episódio é que uma grande amostra não é necessariamente uma boa amostra. Na época, alguns institutos de pesquisa, utilizando amostras bem menores - em torno de 1.500 - fizeram uma previsão correta da vitória de Franklin D. Roosevelt.


Efeito "BANDWAGON"

É uma polêmica antiga: qual o efeito causado pelas pesquisas eleitorais na decisão de voto dos eleitores? Os americanos chamam de "BANDWAGON EFFECTS" as ações ou informações que possam capitalizar mais votos para um candidato que está na frente ou "vai bem nas pesquisas". Alguns eleitores seriam mais propensos a votar no candidato vencedor. Por outro lado, existe também o chamado efeito "UNDERDOG", ou seja, alguns eleitores tendem a privilegiar o candidato "que está perdendo nas pesquisas", por uma questão de comiseração ou piedade. Não existem estudos conclusivos sobre a real extensão desses "efeitos", que tendem a favorecer os "líderes" e os "lanterninhas" de uma disputa eleitoral. Entretanto, alguns analistas políticos admitem que os resultados das pesquisas eleitorais influenciam muito mais os financiadores de campanhas, os próprios candidatos, os dirigentes e militantes partidários do que os eleitores. Apesar desta polêmica envolvendo uma possível influência das pesquisas eleitorais na decisão do eleitor, existe um consenso entre os estudiosos do assunto de que os fatos e acontecimentos diretamente relacionados com as campanhas políticas são muito mais passíveis de modificar ou sedimentar o sentimento do eleitor do que os resultados das pesquisas eleitorais. (ROBERTO HARROP GALVÃO)



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